Edital:
Chamada MCTIC/CNPq/FNDCT/MS/SCTIE/Decit Nº 07/2020 - Pesquisas para enfrentamento da COVID-19, suas consequências e outras síndromes respiratórias agudas graves.
Município:
RIO DE JANEIRO
Título:
Infodemia e desinformação: revisão sistemática de literatura sobre estratégias de comunicação e informação em saúde em situações de pandemia.
Coordenador:
ROSE MARIE SANTINI DE OLIVEIRA
URL do lattes:
http://lattes.cnpq.br/8757803805826489
Palavras Chaves:
Saúde Pública;Desinformação;Publicidade online;Mídias Sociais;SUS;
Resumo:
Em face ao desafio enfrentado pelos líderes mundiais e autoridades em saúde coletiva para tomar decisões e definir respostas para crises epidemiológicas como a que atualmente vivemos com a COVID-19, propomos neste projeto desenvolver uma revisão sistemática de literatura para mapear as estratégias comunicação e informação, eficazes e ineficazes, no enfrentamento e contenção de crises sanitárias e pandemias, e examinar seus respectivos efeitos sociais, emocionais e comportamentais. Nesse contexto, o presente projeto visa responder às seguintes questões de pesquisa: (a) quais são as narrativas, condições e dinâmicas sociais que propiciam a propagação da informação e da desinformação em saúde? (b) como combater a produção, disseminação e consumo de informações falsas e inúteis, que atrapalham a coordenação das estratégias de saúde coletiva? (c) como as estratégias de informação e comunicação podem produzir e/ou afetar condicionamentos sócio-emocionais da população como negação, imobilização, hiperatividade e hipervigilância em situações de crise
sanitária? (d) quais são as estratégias de comunicação eficazes para orientar e envolver a sociedade na mudança de comportamento necessária para a mitigação da epidemia e prevenção à infecção pelo vírus, como no caso do COVID-19? Nosso projeto propõe revisar,
analisar e comparar resultados sobre surtos anteriores de doenças infecciosas como Ebola, H1N1 e Síndrome Respiratória Aguda Grave (SARS) a partir de uma Revisão Sistemática de Literatura. A síntese das evidências científicas será disponibilizada em painel on-line, onde os
gestores possam filtrar e buscar artigos científicos, métodos e comparação de resultados para subsidiar decisões dos gestores públicos de comunicação e saúde. O painel on-line também incluirá a consolidação, por meio de inteligência computacional, dos conteúdos de mídia com
divulgação científica sobre estudos de COVID-19, com interface amigável, congregando múltiplos atores para o encaminhamento de soluções para problemas de alta complexidade de forma mais efetiva.
Texto para não especialistas:
Esta pesquisa analisou a disseminação de informação e desinformação durante crises de saúde, como pandemias. O objetivo foi compreender quem as produz, compartilha e consome, além de suas consequências para a saúde pública. Inicialmente, a equipe examinou 3.641 artigos científicos sobre o tema, selecionando 180 para o mapeamento das evidências. Os resultados destacam que, especialmente na pandemia de COVID-19, a desinformação se propagou amplamente nas redes sociais, impulsionada por figuras públicas influentes. Embora médicos e cientistas sejam vistos como fontes confiáveis, muitas pessoas recorrem a informações mais acessíveis, como as compartilhadas por amigos e redes sociais. O estudo também revelou que o excesso de informações, incluindo notícias falsas, pode gerar ansiedade e medo, enquanto a desconfiança nas autoridades favorece a crença em teorias da conspiração. Para combater a desinformação, é essencial que as informações sejam claras e transparentes, além de garantir uma comunicação eficaz entre governos, imprensa e especialistas. A pesquisa evidencia que a forma como a informação é transmitida em crises de saúde impacta diretamente as taxas de adoecimento e mortalidade.
Sub-Agenda:
Comunicação e Informação em Saúde
PESS Objetivos Estratégicos: Principal
Não informado
PESS Objetivos Estratégicos: Secundário
Não informado
Transversalidade:
Não informado
Valor Total:
R$ 49.800,00
Modalidade de Fomento:
Fomento Nacional
Modalidade de Gestão:
Não informado
Natureza da Pesquisa:
Não informado
Tipo da Pesquisa:
Não informado
Setor de Aplicações do Resultado da Pesquisa:
Não informado
Aplicabilidade ao SUS:
A pesquisa permitiu a identificação de estratégias de comunicação e desinformação relatadas em situações de crises sanitárias, para orientar a gestão em saúde e a tomada de decisão de comunicação em situações de risco, de emergência sanitária e pandemia. As evidências obtidas podem ser utilizadas para: 1) nortear o planejamento, as estratégias e práticas de comunicação e informação na promoção de saúde coletiva; 2) orientar os profissionais da atenção primária na comunicação e atenção ao público; 3) orientar a formulação de protocolos de combate à desinformação e fake news; 4) orientar a preparação de porta-vozes e media training em situações de crise sanitária ou pandemia; e 5) subsidiar a construção ou atualização dos protocolos de comunicação e saúde.
Objetivo:
Pesquisar e analisar, de forma sistematizada, a produção científica nacional e internacional que apresente evidências sobre produção, circulação e consumo de informação e desinformação relacionadas a crises sanitárias, desastres que apresentem ameaça à saúde coletiva e campanhas de promoção da saúde em situações de crise epidemiológica, e as formas de combatê-las.
Metodologia:
Realizamos uma revisão sistemática de literatura sobre a produção, circulação e consumo de desinformação em situações de crise epidemiológica, e as formas de combatê-las. Originalmente usadas nas ciências médicas para examinar a eficácia das intervenções em saúde, as revisões sistemáticas foram adaptadas para diferentes campos disciplinares, como as ciências sociais. A pesquisa foi realizada como uma análise de escopo sistematizada da produção científica nacional e internacional sobre a produção, circulação e consumo de informação e desinformação relacionadas a crises sanitárias, epidemiológicas e emergências em saúde. Foram definidos critérios de elegibilidade, incluindo tipos de crises, estratégias de comunicação e desinformação, e aderência conceitual. A estratégia de busca utilizou diversas expressões relacionadas à comunicação e à crise sanitária, aplicadas em bases de dados específicas da área da saúde (PubMed, BVS) e generalistas (Web of Science, Scopus, Scielo, ProQuest, EBSCO). A seleção dos estudos envolveu a remoção de duplicados, avaliação por bolsistas com base nos critérios de elegibilidade, validação por um árbitro especialista e avaliação da qualidade metodológica.
Resultados Encontrados:
Uma pandemia ou crise sanitária não é só um problema de saúde e de economia: é também um problema de comunicação. Evidências científicas mostram correlação entre as falhas na comunicação e o descontrole da desinformação e o aumento de doentes e de mortos.
A desinformação passa a ser coordenada, orquestrada, alinhada, em larga escala, e capilarizada pelas redes sociais. As pessoas reconhecem as fontes de informação mais confiáveis (cientistas e profissionais de saúde), mas utilizam as mais fáceis (amigos, parentes, redes sociais). A mídia de massa foi vista, na maioria dos casos, com desconfiança em crises anteriores devido ao tom sensacionalista, especulativo e de estilo ¿comunicados de guerra¿, mas são vistos como mais confiáveis que as redes sociais.
Os principais resultados indicam que a desinformação se tornou um problema coordenado e amplificado pelas redes sociais, com influenciadores, governos e chefes de estado tendo grande impacto. A pesquisa identificou as origens, dinâmicas de busca, consumo e disseminação tanto de informação quanto de desinformação, além do conteúdo mais frequente em cada caso. Observou-se que a mídia social é uma importante fonte de desinformação, enquanto profissionais de saúde e cientistas são considerados mais confiáveis como fontes de informação. Os efeitos da infodemia incluem aumento da ansiedade e do medo, e a desconfiança nas autoridades está relacionada à busca por desinformação. Estratégias eficazes de mitigação da desinformação incluem a checagem de fatos e a comunicação coordenada e transparente entre fontes oficiais e a imprensa.
Descrição do Produto/Processo:
Não Informado
Produções Científicas Decorrente da Pesquisa:
Artigos científicos:
SANTINI, R.M.; BARROS, C. E.. Negacionismo climático e desinformação online: uma revisão de escopo. LIINC EM REVISTA, v. 18, p. 1-27, 2022.
SANTINI, R. M. A indústria da desinformação: fábrica de mentiras, ad-techs e as novas formas de resistência. In: Nair Prata; Sônia Caldas Pessoa; Ivanise Hilbig de Andrade. (Org.). Um mundo e muitas vozes: da utopia à distopia? 1ª ed. São Paulo: Intercom, 2021, v. 1, p. 122-138.
Relatórios de Pesquisa:
Fake science sobre covid-19: artigos científicos, revisões sistemáticas e meta-análises falsas. NetLab - 18 de jul. de 2021
Relatório: Infodemia e Desinformação: análise de escopo sobre estratégias de comunicação e informação em saúde em situações de pandemia. NetLab - 22 de junho de 2021.
Notícias:
Desinformação em saúde mata. Conexão UFRJ - 11 de agosto de 2021
Sites bolsonaristas divulgam dados científicos falsos sobre Covid-19, compartilhados por parlamentar . O Globo - 18 de julho de 2021
Capa do Jornal O Globo: Rede bolsonarista distorceu estudos para difundir fake news sobre Covid. O Globo - 18 de julho de 2021.
Press Release: 'Fake science' vira estratégia central para campanhas de desinformação na pandemia. NetLab - 22 de junho de 2021.
Parceria entre Ministério da Saúde e NetLab UFRJ propõe combater a desinformação sobre a Covid-19. NetLab - 8 de out. de 2020.
Formação de Doutores:
Não Informado
Formação de Mestres:
Não Informado
Formação de Especialistas:
Não Informado
Recomendação para o SUS:
A pesquisa permitiu a identificação de estratégias de comunicação e desinformação relatadas em situações de crises sanitárias, para orientar a gestão em saúde e a tomada de decisão de comunicação em situações de risco, de emergência sanitária e pandemia. As evidências obtidas podem ser utilizadas para: 1) nortear o planejamento, as estratégias e práticas de comunicação e informação na promoção de saúde coletiva; 2) orientar os profissionais da atenção primária na comunicação e atenção ao público; 3) orientar a formulação de protocolos de combate à desinformação e fake news; 4) orientar a preparação de porta-vozes e media training em situações de crise sanitária ou pandemia; e 5) subsidiar a construção ou atualização dos protocolos de comunicação e saúde.